quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Remando contra a Maré


Revirando o passado: Uma carta introdutória a RSE


Quero inaugurar nosso fórum com um assunto espinhoso: Responsabilidade Social das Empresas. Digo espinhoso, pois é voz corrente que as empresas devem assumir responsabilidades junto a sociedade de forma a torná-la mais justa. Assim, quase nunca encontramos alguém disposto a dizer não a "ditadura" da Responsabilidade Social. Pra início de conversa, segue uma carta introdutória ao tema. Se o asunto prosperar, iremos mais fundo, analisando pesquisas, metodologias de avaliação de projetos sociais e etc. Espero que participem. Então, mãos à obra!!!

Revendo o que foi discutido há 10 anos, vê-se que a RSE (Responsabilidade Social nas Empresas)
ainda era um movimento incipiente, mas que começava a ganhar forças. A preocupação era que o argumento crítico ao movimento – de que os problemas sociais eram de responsabilidade do governo – eram infundados.
A RSE surgia do vácuo deixado justamente pelo governo, em que se aumentavam os problemas sociais (decorrentes do neocapitalismo) e piorava a atuação dos governos para combatê-los. Como poderiam alguns lucrarem tanto e outros serem tão miseráveis? Até que ponto as pessoas se contentariam com isso? A mudança de postura requeria investimentos no trinômio: Estado – empresas – indivíduos. Para Paulo Freire “o mundo recusaria a ditadura do mercado, fundada na perversidade ética do lucro”. Nessa época os investimentos em RSE prometiam significativos lucros.
Os primeiros debates em torno da chamada questão social datam do período em que o capitalismo se consolidou como sistema econômico, ou seja, por ocasião da Revolução Industrial. Nessa época as máquinas passaram a substituir as pessoas no processo produtivo, culminando com a aceleração da competitividade e o surgimento dos abismos sociais. As abordagens das Escolas de Administração – clássica e humanista – traziam, respectivamente, as seguintes preocupações:

i) Eficiência industrial;
ii) Eficiência humana.

A análise entre o “homem econômico” e o “homem social” estava estabelecida. Porém, avançava, com muito mais vigor, o conceito de homem social, elemento crucial para o desenrolar dos debates sobre RSE.
O Tempo não pára e a RSE se robustece. Segundo Grajew “num futuro próximo, cada pessoa antes de trabalhar, buscará saber se a empresa é socialmente responsável”. Daí surgem as mais preocupantes campanhas de valorização dos conceitos e práticas de Responsabilidade Social Empresarial. Como exemplo, tem-se que “como estratégia de gestão, a prática de RSE contribui para a construção de uma sociedade mais justa e mais próspera”. Noutro caso, tem-se que “73% das pessoas deixariam de comprar produtos de empresas, caso soubessem que estão envolvidas com algo ilícito”. “76% das pessoas preferem marcas que estejam envolvidas com projetos sociais, desde que tenham preço e qualidade”. Desse ponto em diante já não é mais possível retroceder. O movimento é irreversível. No campo prático a batalha já está vencida. Mas no campo teórico muito ainda se pode fazer.
Atualmente, as empresas vêm sendo fortemente incitadas a serem “socialmente responsáveis”. A construção desta idéia passa pela inversão das regras em que se fundamenta o capitalismo e a lógica da livre concorrência. Assim, as empresas assumem e/ou reforçam o papel do agente público (Estado). Isto é, as organizações, em alguns casos, tornam-se responsáveis pelo desenvolvimento de programas que promovam a redução dos problemas sociais. Conseqüentemente, o lucro – que é fundamental para a sustentabilidade dos negócios – tende a ser visto como objetivo secundário.
O que veremos, em breve, é que a inversão de valores e responsabilidades redesenhará o modelo de organização econômica, trazendo, eventualmente, prejuizos ou resultados diferentes daqueles que se esperavam quando os investimentos foram realizados.

2 comentários:

  1. Prezado Leilson,

    Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa do Blog!
    O tema RSE é muito atual e pertinente e fiquei curioso sobre o que veremos em breve o "novo" modelo de organização econômica, pois na minha opinião, o que a classe empresarial não consegue enxergar é o retorno sobre esse investimento (ROI).
    Estou fazendo um trabalho de consultoria em uma empresa que conseguiu enxergar esse retorno. Ainda não existem indicadores capazes de medir esse retorno, mas ele houve de maneira intangível: orgulho dos funcionários por atuarem em uma empresa socialmente responsável, a comunidade no entorno respeita a marca, os clientes dessa empresa, enxergam a empresa como uma empresa DIFERENTE das demais e o mais interessante é que essa empresa em nenhum momento foi "obrigada" por algum de seus clientes a se certificar na SA8000, AA1000 ou ISO14000 que todas essas tratam desse tema.
    Acho que o indicador de 76% preferem marcar que estejam envolvidas em projetos sociais é interessante, o problema é o DESDE QUE, tenha PREÇO e QUALIDADE. A realidade da Europa e EUA é diferente, 89% paga mais CARO por isso. Enfim... debater esse tema irá gerar uma consciência, no mínimo uma reflexão sobre o VALOR AGREGADO que a empresa passa a ter quando atua nessa linha.

    Abraços e sucesso!!!

    Barbieri.

    Indico o site: www.responsabilidadesocial.com , que tem entrevistas e projetos interessantes.

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  2. Prof Barbieri,

    Desde já agradeço o apoio. O blog é para todas as pessoas interessadas no compartilhamento do saber. Assim, estará sempre disponível para sua especial contribuição. Fiquei honrado com sua visita e, ainda mais, por seus comentários que nos trazem sempre novas reflexões. Muito obrigado. No demais, continuaremos debatendo esses e outros assuntos.

    Att,

    LEILSON LYRA

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